Escolher um aparelho auditivo envolve mais do que preço ou marca. Afinal, cada modelo foi desenvolvido para um perfil de perda auditiva, uma rotina e um estilo de vida diferente. Logo, entender essas diferenças ajuda a chegar à avaliação clínica com clareza e evita frustração na adaptação de para ter audibilidade e conforto auditivo.
Este guia apresenta os principais tipos de aparelho auditivo disponíveis hoje no mundo, para que serve cada formato e como identificar qual combina com a sua necessidade.
Por que o modelo certo faz diferença na adaptação?
É importante destacar que o aparelho auditivo funciona corretamente quando três variáveis estão alinhadas: o grau da perda auditiva, o formato do canal auditivo e a rotina de uso da pessoa. Um modelo indicado para perda leve pode não dar amplificação suficiente em uma perda severa, e um formato muito discreto pode ser difícil de manusear por alguém com menor destreza manual.
Boa parte das pessoas que procuram um aparelho auditivo pela primeira vez tem perda auditiva relacionada à idade, conhecida como presbiacusia, um processo gradual que costuma afetar primeiro os sons agudos e a compreensão da fala em ambientes ruidosos. Identificar o perfil da perda auditiva antes de escolher o modelo do aparelho auditivo evita frustração na adaptação e aumenta a aderência ao uso diário.
Aparelho retroauricular (BTE)
O aparelho retroauricular, também chamado de BTE (Behind The Ear), fica atrás da orelha e é conectado ao canal auditivo por um tubo com uma peça personalizada. É o modelo mais tradicional e um dos mais versáteis do mercado. Indicado para:
- Perdas auditivas leves a profundas;
- Crianças em fase de crescimento, pela facilidade de troca do molde e segurança contra choques e quedas.
- Pessoas com dificuldade de manuseio e colocação dos aparelhos auditivos
- Quem prioriza durabilidade.
Além disso, costuma ter bateria de maior duração e boa resistência ao suor e à umidade.
Aparelho RIC (receptor no canal)
O Receiver in Canal (RIC) é a evolução moderna do retroauricular. A parte principal fica atrás da orelha, e o receptor (alto-falante) é posicionado dentro do canal auditivo, conectado por um fio muito fino. É muito discreto. Atualmente, 80% dos pacientes preferem esse modelo.
Indicado para:
- Perdas auditivas de leves a severas;
- Quem busca discrição sem abrir mão de qualidade sonora, conforto e versatilidade;
- Rotinas com uso frequente de celular e televisão, já que a maioria dos modelos tem Bluetooth.
É hoje o formato mais recomendado para jovens, adultos e idosos, pela combinação de discrição visual, som natural e conectividade.
Aparelho intra-auricular (ITE | ITC)
O aparelho intra-auricular (ITE, In The Ear) preenche a concha da orelha e é feito sob medida a partir do molde da orelha do paciente. Fica dentro do ouvido, sem componentes atrás da orelha. Indicado para:
- Perdas auditivas de leves a moderadamente severas;
- Pessoas que usam óculos e não querem peças concorrendo com a haste;
- Quem quer um modelo discreto, mas ainda fácil de manusear.
Aparelho CIC e IIC
Os modelos CIC (Completely In Canal) e IIC (Invisible In Canal) são os menores disponíveis. Ficam profundamente inseridos no canal auditivo e são praticamente imperceptíveis para quem está por perto, por isso, também chamados de aparelho auditivo invisível.
Indicado para:
- Perdas auditivas de leves a moderadas;
- Discrição total;
- Quem sente desconforto estético com aparelhos visíveis.
Exige canal auditivo com anatomia adequada e boa destreza manual para inserção e retirada diárias.
O fornecimento de energia para que os aparelhos auditivos funcionem o dia todo, pode ser através de baterias descartáveis (específicas para aparelhos auditivos) ou baterias recarregáveis.
Aparelho auditivo recarregável
Os modelos listados acima, todos podem ser recarregáveis. Recarregável não é um formato próprio, e sim uma tecnologia de bateria de lítio disponível hoje em quase todas as linhas de RIC, BTE e alguns modelos intra-auriculares. Substitui a bateria descartável por uma bateria de lítio que dura o dia inteiro com uma carga durante a noite.Veja mais sobre as vantagens dos aparelhos auditivos recarregáveis.
Indicado para:
- Quem tem dificuldade em manusear pilhas pequenas;
- Rotinas de uso intenso ao longo do dia;
- Quem prefere reduzir custos e descarte de pilhas ao longo dos anos.
Aparelho auditivo com Bluetooth
A maioria dos modelos atuais das marcas Widex, ReSound e Signia tem conexão Bluetooth, LE audio e Auracast integrada. Isso permite receber ligações direto no aparelho, ouvir o áudio da televisão sem interferência ambiental e escutar música pelo celular com clareza. Para entender melhor a tecnologia dos aparelhos auditivos modernos disponíveis em 2026, vale explorar cada linha.
Para quem trabalha, dirige ou passa muito tempo em videochamadas, e conectividade deixou de ser luxo e passou a ser critério funcional de escolha.
Como decidir qual modelo é o mais adequado?
A definição correta depende de três etapas:
- Audiometria completa para identificar o grau da perda auditiva em cada frequência sonora;
- Análise do canal auditivo e da anatomia do ouvido externo;
- Conversa sobre rotina, uso de tecnologia, ambientes frequentes e preferências estéticas.
Ou seja, sem essa avaliação, qualquer indicação é palpite. Modelos aparentemente parecidos podem ter desempenho muito diferente conforme o perfil da perda auditiva. Isso vale principalmente para adultos acima dos 60 anos, faixa em que a audição costuma piorar de forma gradual e silenciosa, o que faz com que o próprio paciente subestime o quanto já perdeu.
Surdez também é pauta nacional
Em agosto de 2026, o Globo Repórter dedicou uma edição inteira à saúde auditiva, com apresentação de Sandra Annenberg. O programa apresentou pesquisas conduzidas pela professora Alessandra Samelli, da Universidade de São Paulo, que acompanhou mais de 800 participantes em exames auditivos e testes cognitivos regulares.
Um dos achados centrais do estudo: pessoas com perda auditiva apresentaram declínio cognitivo mais rápido do que pessoas com audição preservada. A pesquisa também investiga a relação entre audição e equilíbrio, com resultados iniciais que indicam maior número de falhas em testes de equilíbrio entre pessoas com perda nas frequências mais altas.
O debate público reforça o que a Opimed observa há mais de 35 anos na prática clínica. Quanto mais cedo a perda auditiva é identificada e tratada, maiores são as chances de preservar comunicação, autonomia e qualidade de vida.
Próximo passo
A avaliação auditiva da Opimed é o ponto de partida para identificar o grau da perda auditiva e conhecer os modelos indicados para o seu perfil. O atendimento é feito por especialistas em saúde auditiva e não gera compromisso de compra.
Agende sua avaliação em uma das 17 unidades da Opimed ou solicite contato pelo formulário.